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a volta à era dos caçadores

 

V. já deve ter visto: os psicólogos andam estudando os rituais de acasalamento dos animais, os antropólogos estudam tribos primitivas, tudo isto para tentar explicar nosso comportamento sexual e reprodutivo.

 

E por que não usar a psicologia evolucionista para entender nosso comportamento no trabalho?
Foi o que fez David Hurst , o Vice-Presidente das Metalúrgicas Federais Americanas e autor de vários livros sobre desempenho profissional . Hurst iniciou seus estudos com as tribos do deserto de Kalahari, talvez o último reduto de uma civilização nômade, sem noção de tempo, nem de posse, nem de hierarquia. Posteriormente, Hurst comparou essa civilização (caladores) à nossa.
Veja algumas conclusões: 

  •  Caçadores trabalham em equipe: Não há noção de hierarquia. A divisão de tarefas não implica em diferenciação de status. Saber ou poder mais não implica em valer mais. O valor mais importante é a troca – de comida, de presentes, de companhia – pois a garantia da reciprocidade é também uma garantia da sobrevivência.
  • Caçadores não se apegam a itens materiais: As sobras da caça são sempre divididas – é melhor contar com as futuras sobras da caça de seus colegas do que deixar a carne estragar. Enquanto nômades, os caçadores abandonam terras, roupas e armas, pois viajar com muita carga só atrapalha. Bens materiais são, sobretudo um peso. Para garantir a sobrevivência, vive-se em grupo.
     
  • Caçadores estão sempre atentos para oportunidades: Adianta muito pouco aprender o comportamento de um animal se na próxima caçada V. provavelmente vai encontrar outro. O importante é ser capaz de lidar com o imprevisto, ter sensibilidade e flexibilidade para captar um novo comportamento, ter jogo de cintura.
     
  • Caçadores esquecem o passado: Nômades não insistem no que não está dando certo. Começam de novo.

bushmen

Já faz tempo que nos comportamos como pastores ou agricultores: foram os atos de plantar e colher que nos ensinaram causa e efeito, que nos deram noção de tempo, que nos ensinaram a adquirir conhecimento, a usar o esforço e a perseverança. Mas trabalhar a terra fez com que nos apegássemos a ela e que passássemos a não mais compartilhar nossas posses.

Não estaríamos no momento de resgatar nosso lado caçador? Este é exatamente o ponto de vista de Hurst: o modelo agricultor/pastor só é eficaz em ambientes estáveis. Quando mudanças ocorrem a todo instante, o apego às previsões não pode prescindir da flexibilidade.

A globalização está nos transformando em nômades: se nós não mudamos, é o mundo que muda à nossa volta. As oportunidades de "caça" não se restringem mais ao nosso espaço.

Voltamos a estruturas menores, ao trabalho em equipes e em redes

Chega a hora mudança dentro de cada um de nós: a consciência de que nossa sobrevivência depende do muito mais do compartilhamento do que da posse.

Leia mais sobre o tema em Competências para a Pós-Modernidade