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cada um é cada qual. adaptando sua palestra ou seminário ao seu público-alvo

Businessman Giving a Lecturing

Lembra daquela piada que você considerava um quebra-gelo infalível para suas apresentações?

De repente, ninguém riu. Como foi possível? É simples: em se tratando de gente, nada  é infalível. As palestras precisam atrair, motivar e convencer. E não há uma maneira uniforme de fazê-lo.

Da mesma forma que ninguém motiva ninguém (na verdade cria condições para que as pessoas se automotivem), ninguém atrai ou convence ninguém. As pessoas se deixam atrair e se permitem convencer à medida que se estabelecem vínculos de simpatia, interesse e credibilidade.

E o que gera vínculos? Depende. Das pessoas, da cultura da organização e do público-alvo, do momento. Cabe ao palestrante (ou facilitador do seminário) estar bem equipado.

Veja o que é possível fazer:

Informações – Conhecer a empresa não basta. É importante saber o momento pelo qual a empresa está passando, a razão da palestra ou seminário e como ele é percebido pelas pessoas presentes. A oportunidade de aprendizado é um prêmio ou mais um entre muitos? É vista como tempo bem empregado? O que aconteceu logo antes? Imagine, por exemplo, uma palestra que é parte de uma convenção. Se a convenção é um momento de celebração, a receptividade será completamente diferente de uma palestra proferida logo após uma bronca do CEO.

Perfis – Procure traçar o perfil do público-alvo. Não se limite a profissão, cargo e nível de escolaridade. Há muitos modelos que elucidam perfis psicológicos. O Center for Creative Leadership, por exemplo, acredita em 4 perfis básicos, que são:

Realista – Pessoa que aprecia os dados e as informações, é “pé no chão” e racional. Esse tipo de público não se deixa levar pelo seu humor ou simpatia. Se V. fizer muita preleção, ele pode achar que está perdendo tempo. Dê exemplos concretos sobre os resultados obtidos com o conteúdo que V. está trazendo. Faça-o perceber rapidamente quais são os ganhos de estar lá. Capriche nas informações, estatísticas, casos.

Estrutural – Valoriza a ordem, o controle e a precisão. Precisa em primeiro lugar respeitar o palestrante. Ao se apresentar, dedique um bom tempo ao seu currículo. Como o estrutural gosta de ordem e sequência, uma explanação sobre os objetivos e etapas da palestra ou seminário será bem-vinda. Procure colocar seu conteúdo em etapas também, abuse do passo-a-passo.

Afetivo – Preocupa-se com sentimentos, emoções, entusiasmo, prazer e principalmente pessoas. Seja simpático e interativo. Conte piadas, proponha jogos, discussões em pequenos grupos e dinâmicas. Intercale a exposição oral com alguma atividade

Visionário – Tem uma mente transformadora. Está sempre de olho no futuro e valoriza a iniciativa, a inovação e a fantasia. Faça perguntas intrigantes. Abuse de imagens – tanto desenhos como metáforas, lendas e parábolas. Provoque o raciocínio e a fantasia. Não seja dogmático nem conclusivo. Humor, só se for refinado.

A maioria das pessoas é forte em duas dessas variáveis e nem tanto nas outras duas. V. pode deduzir seus perfis em função de suas profissões e/ou da cultura da organização.

Evidentemente, V. não pode se ater a só uma metodologia, para não cansar o público. É óbvio também que o ser humano é mais complexo do que uma tipologia, por isso V. pode e deve ousar um pouco, mas lembre-se:

Vá aos poucos – Se, por exemplo, V. quiser usar humor, comece com alguma coisa engraçadinha, não com uma piada longa. Se o público rir é porque está com vontade de rir, e se não rir, você não vai ficar sem graça.

Esteja atento aos sinais – O público dá sinais o tempo todo. Preste atenção neles. Não se atenha apenas aos que estão nitidamente gostando. Procure conquistar os demais.

Um grupo não é um bando de pessoas – Ele tem uma dinâmica própria. Pessoas podem ter comportamentos e apreciações diferentes do que teriam individualmente quando estão em grupo.

O meio é a mensagem – Lembra-se do velho mote? Além de considerar o perfil do seu público, a forma precisa ser coerente com o conteúdo. A mensagem é o mais importante, mas não se separa de seu estilo nem da sua metodologia.