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Inovando a inovação

 

Quem vê as filas para a compra do Iphone5, pensa logo em um show de rock!  No mundo todo, pessoas passam noites em claro e se aglomeram para comprar a novidade da Apple. E no Brasil, apesar de ainda não podermos desfrutar da velocidade das operadoras móveis de quarta geração, acredito que a maioria dos Applemaníacos (inclusive eu) não conseguirá viver sem o último lançamento.

As filas nas lojas da Apple apenas exacerbam o retrato da era em que estamos vivendo: o domínio da velocidade, da novidade, da inovação, tornando insuportável a ideia de viver sem o último lançamento de seja lá o que for.

Explica-se: as empresas inovam para superar a concorrência e assim reinar absolutas em seus mercados – até serem copiadas ou superadas e terem que inovar novamente. Isso explica não só a velocidade dos lançamentos, mas os incríveis esforços de vendas, já que assim que um novo produto ou serviço é lançado, ele precisa gerar o máximo lucro possível para justificar o investimento.

Tanta inovação viciou os consumidores. Hoje é preciso inovar inclusive para atender as expectativas do mercado. É possível imaginar um carro do ano que não inove, nem que seja em detalhes?

Como consultora em inovação, percebo que essa palavrinha há tempos deixou de ser característica das empresas inovadoras. O que temos agora são empresas que inovam, ou seja, todas, ou pelo menos aquelas que perceberam a importância que a inovação tem para sua sobrevivência.

the light trails

Vivemos numa época de inovação contínua, e rápida.  Enquanto o filósofo Paul Virilio diz que vivemos em uma dromocracia (o poder dos mais rápidos), Al Ries e Jack Trout, especialistas em posicionamento de marcas, dizem que “é melhor ser o primeiro do que ser o melhor”.

Mas chegar primeiro não justifica perda de qualidade. Hoje isso é fruto de criações conjuntas, adaptações das versões Beta, tão populares entre programadores de softwares. No caso, os programas são lançados sem estar totalmente prontos e podem ser aprimorados pelos usuários, que se orgulham e às vezes obtém benefícios por terem contribuído.

Felizmente, o mundo está também mais consciente. Se por um lado os consumidores estão ávidos pelo novo, por outro a novidade deixa de ser motivadora. Parte do meu trabalho é ajudar empresas não só a decidir no que inovar, mas a inovar de uma forma que contribua para a evolução não só das organizações, mas também dos consumidores e da sociedade. Até porque é isso o que os consumidores querem.

Passamos a trocar produtos antigos pelos novos não porque os antigos se estragaram, mas porque os novos são melhores. Passamos a consumir mais moda não porque é inaceitável um traje da estação passada, mas porque queremos testar vários estilos. E mais do que isso, a dicotomia entre inovação e sustentabilidade tem seus dias contados: se antes a inovação gerava desperdícios e ameaçava a sustentabilidade, hoje a sustentabilidade é um dos principais motores da inovação. Quanta inovação existe num prédio sustentável, nos materiais reciclados, na eliminação de desperdícios!

Portanto, este é o papel da inovação nos dias de hoje: estar alinhada com as tendências, aspirações e expectativas. Mas acima de tudo, contribuir para a evolução de todos nós.