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O impasse entre a cultura de inovação e a cultura das organizações

Ultimamente tenho ouvido uma queixa constante: “Na minha empresa, fala-se muito em inovação, mas ninguém inova nada”.  A cúpula se queixa da gerência, a gerência se queixa de suas equipes, que por sua vez se queixam das gerências e da cúpula. Todo mundo quer, mas ninguém consegue.

Vamos entender uma coisa: empresas inovadoras são diferentes das empresas que inovam, ou seja, a grande maioria das empresas não tem a inovação como vocação primária, simplesmente precisa inovar por uma questão de sobrevivência.

E inovar seria mais fácil se não demandasse uma mudança na forma de alocação de recursos, de tempo e da mente das pessoas.  Aliás, pode-se dizer que muda até a “alma” das empresas, já que cultura é um pouco isso.

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Mas como mudar a cultura se ela determina a personalidade, o jeito de ser de cada organização? Como mudar a cultura levando em consideração que comportamentos, crenças e valores não mudam do dia para a noite? É por isso que quando falo em cultura, prefiro falar em influência ou até contágio, mais do que mudança.

Venho advogando a um bom tempo que cada empresa deve criar o seu jeito de inovar. Afinal, este foi o percurso das empresas inovadoras.

Vejamos por exemplo o caminho trilhado pela 3M, que valoriza as iniciativas individuais. Um de seus motes mais famosos é “contrate bons funcionários e deixe-os em paz“,  princípios de William L. McKnight,  seu diretor em 1948 

Agora um exemplo completamente diferente: a IDEO, outra referência em inovação, é uma empresa de design que, devido ao seu sucesso com inovações, disseminou a metodologia do Design Thinking: para eles, o que funciona é o trabalho em grupo.

As duas formas funcionaram, sobretudo, porque estavam alinhadas com a cultura das empresas, aliás, até com as culturas locais: Minnesota, a sede da 3M, cresceu como uma cidade agrícola, onde cada profissional estava sozinho cuidando de seu gado enquanto que San Francisco, a sede da IDEO, é famosa por valorizar a diversidade, a militância e os movimentos grupais.

Só que a preferência pelo trabalho individual, ou em equipe, ou em redes, é apenas uma das variáveis.  É preciso conhecer a forma como cada empresa administra riscos e erros, seu grau de centralização, como lida com ideias novas, diversidade, decisões, etc.

Enfim, é preciso conhecer a cultura, os aspectos de cada empresa que favorecem ou desfavorecem as inovações. É preciso conhecer também qual o foco das inovações a cada momento (inovar no quê?), e as variáveis de sua estrutura física e digital, para avaliar as iniciativas que contribuirão para a inovação de cada empresa.

Em resumo, quando se trata de cultura de inovação, há muito em que se inspirar, mas bem menos para copiar.

Veja mais sobre cultura de inovação em Contribua para a Cultura de Inovação da Sua Empresa