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Preparando sua empresa para captar sinais fracos

 

To work

 

Segundo a estrategista Michelle Codet, um sinal fraco é “um fator de mudança raramente perceptível no presente, que desencadeará numa tendência no futuro.”

Para Igor Ansoff, que trouxe esse conceito para o mundo das organizações, um sinal fraco é “uma indicação pouco precisa sobre eventos iminentes e de impacto, embora a forma, natureza e fonte desses sinais ainda não sejam conhecidas.”

Tenho a ousadia de compartilhar a minha definição: sinais fracos são as diferentes dicas de que algo vai acontecer, e que depois que acontece, “estava na cara”. Também é tudo aquilo que nos faz dizer “eu bem que desconfiava”, e se arrepender por não ter acreditado na própria intuição.

É muito difícil captar esses sinais antes de se tornarem evidentes. Mas, como diz o próprio Ansoff, sinais fracos são fundamentais para decisões estratégicas num mundo mutante.  De fato, os sinais fracos reduzem enormemente os riscos de decisões sobre inovações a serem implementadas, carreiras a serem definidas ou investimentos a serem feitos.

Não é a toa que as empresas estão experimentando várias formas de captar sinais fracos, desde programas de ideias e encontros entre profissionais para compartilhar percepções, até sistemas sofisticados de inteligência coletiva.

Entretanto, será que nossas mentes estão preparadas para captar sinais fracos?

Infelizmente, tudo conspira contra.  Em primeiro lugar, porque sinais fracos tendem a passar despercebidos. E não apenas pela sua característica: eles nos escapam porque o dia a dia de qualquer profissional exige um esforço ininterrupto de foco para poder resistir a chuvas de e-mails e demandas afins.

Mas digamos que um sinal fraco tenha sido percebido. Ele provavelmente será rejeitado. Por quê? Porque filtrar informações é parte do trabalho da mente humana, e as pessoas tendem a ver o que querem ver, e a rejeitar o que provocará mudanças de crenças e comportamentos – que é o caso de uma nova tendência.

Explicando de outra forma, a percepção, compreensão, aceitação e interpretação de um dado, depende de modelos mentais e da vontade de cada ser humano de colocá-los em cheque.

Imaginemos que mais um passo tenha sido dado: a pessoa viu e entendeu uma tendência em crescimento. Será que ela dá importância à sua percepção? Será que ela acredita no que viu? Afinal, tudo parece um pouco intuitivo, nada é preto no branco.

E, já que as percepções não são assim tão claras, será que as pessoas nas organizações vão acreditar nelas?

E seus interlocutores, como vão reagir a previsões não confirmadas, ou mesmo a confirmações posteriores, caso não queiram sair da zona de conforto? Será que alguém vai optar por compartilhar sua percepção correndo o risco de ser ignorado, renegado ou até ridicularizado? (basta lembrar-se de Nouriel Roubini, chamado de “profeta do apocalipse” por ter previsto a crise econômica de 2008).

De fato, são vários os aspectos comportamentais que interferem na captação e aproveitamento de sinais fracos. Por isso, paralelamente aos sistemas de captação desses sinais, é importante um trabalho junto aos colaboradores que os façam compreendê-los e respeitá-los.

Afinal, ignorar sinais fracos envolve o risco de ver o mundo (e as oportunidades) passarem, enquanto se está enterrado na rotina.